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segunda-feira, 17 de junho de 2013

ATIVIDADE – Estilística da Palavra e da Frase.

ATIVIDADE
Conto Brasileiro Substância
Guimarães Rosa


Sim, na roça o polvilho se faz a coisa alva: mais que o algodão, a garça, a roupa na corda. Do ralo às gamelas, da masseira às bacias, uma polpa se repassa, para assentar, no fundo da água e leite, azulosa – o amido – puro, limpo, feito surpresa. Chamava-se Maria Exita. Datava de maio, ou de quando? Pensava ele em maio, talvez, porque o mês mor – de orvalho, da Virgem, de claridades no campo. Pares se casavam, arrumavam-se festas; numa, ali, a notara: ela, flor. Não lembrava a menina, feiosinha, magra, historiada de desgraças, trazida, havia muito, para servir na Fazenda. Sem se dar ideia, a surpresa se via formada. Se, às vezes, por assombro, uma moça assim se embelezava, também podia ter sido no tanto-e-tanto. Só que a ele, Sionésio, faltavam folga e espírito para reparar em transformações.

Saíra da festa em começo, dada mal sua presença; pois a vida não lhe deixava cortar pelo sono: era um espreguiçar-se ao adormecer, para poupar tempo no despertar. Para a azáfama – de farinha e polvilho. Célebres, de data, na região e longe, os da Samburá; herdando-a, de repente, Seo Nésio, até então rapaz de madraças visagens, avançara-se com decisão de açoite a desmedir-lhes o fabrico. Plantava á vasta os alqueires de mandioca, que ali, aliás, outro cultivo não vingava; chamava e pagava os braços; espantava, no dia-a-dia, o povo. Nem por nada teria adiantado atenção a uma criaturinha, a qual.

Maria Exita. Trouxera-a, por piedade, pela ponta da mão, receosa de que o patrão nem os 
outros a aceitassem, a velha Nhatiaga, peneireira. Porque, contra a menos feliz, a sorte sarapintara de preto portais e portas: a mãe, leviana, desaparecida de casa; um irmão, perverso, na cadeia, por atos de morte; o outro, igual feroz, foragido, ao acaso de nenhuma parte; o pai, razoável bom-homem, delatado com lepra, e prosseguido, decerto para sempre, para um lazareto. Restassem-lhe nem afastados parentes; seja, recebera madrinha, de luxo e rica, mas que pelo lugar apenas passara, agora ninguém sabendo se e onde vivia. Acolheram-na, em todo o caso. Menos por direita pena; antes, da compaixão da Nhatiaga. Deram-lhe, porém, ingrato serviço, de todos o pior: o de quebrar, à mão, o polvilho, nas lages.
Sionésio, de tarde, de volta, cavalgava através das plantações. Se a meio-galope, se a passo, mas sôfrego descabido, olhando quase todos os lados. Ainda num Domingo, não parava, pois. Apenas, por prazo, em incertas casas, onde lhe dessem, ao corpo, consolo: atendimento de repouso. Lá mesmo, por último, demorava um menos. Prazer era ver, aberto, sob o fim do sol, o mandiocal de verdes mãos. Amava o que era seu – o que seus fortes olhos aprisionavam. Agora, porém, uma fadiga. O ensimesmo. Sua sela se coçava de uso, aqui a borraina aparecendo; tantas coisas a renovar, e ele sem sequer tempo. Nem para ir de visita, no Morro-do-Boi, à quase noiva, comum no sossego e paciências, da terra, em que tudo relevava pela medida das distâncias. Chegava à Fazenda. Todavia, esporeava.

O quieto completo, na Samburá, no Domingo, o eirado e o engenho desertos, sem eixo de murmúrio. Perguntava à Nhatiaga, pela sua protegida. __ “Ela parte o polvilho nas lages...” – a velha resumira. Mas, e até hoje, num serviço desses? Ao menos, agora, a mudassem! __ “Ela é que quer, diz que gosta. E é mesmo, com efeito...” – a Nhatiaga sussurrava. Sionésio, saber que ela, de qualquer modo, pertencia e lidava ali, influía-lhe um contentamento; ele era a pessoa manipulante. Não podia queixar-se. Se o avio da farinha se pelejava ainda rústico, em breve o poderia melhorar, meante muito, pôr máquinas, dobrar quantidades.

Demorara para ir vê-la. Só no pino do meio-dia – de um sol do qual o passarinho fugiu. Ela estava em frente da mesa de pedra; àquela hora, sentada no banquinho rasteiro, esperava que trouxessem outros pesados, duros blocos de polvilho. Alvíssimo, era horrível, aquilo. Atormentava, torturava: os olhos da pessoa tendo de ficar miudinho fechados, feito os de um tatu, ante a implacável alvura, o sol em cima. O dia inteiro, o ar parava levantado, aos tremeluzes, a gente se perdendo por um negrume do horizonte, para temperar a intensidade brilhante, branca; e tudo cerradamente igual. Teve dó dela – pobrinha flor. Indagou:__ “Que serviço você dá?” – e era a tola questão. Ela não se vexou. Só o mal-e-mal, o boquinãoabrir, o sorriso devagar. Não se perturbava. Também, para um pasmar-nos, com acontecesse diferente: nem enrugava o rosto, nem espremia ou negava os olhos, mas oferecidos bem abertos – olhos desses, de outra luminosidade. Não parecia padecer, antes tirar segurança e folguedo, do triste, sinistro polvilho, portentoso, mais a maldade do sol. E a beleza. Tão linda, clara, certa – de avivada carnação e airosa – uma iázinha, moça feita em cachoeira. Viu que, sem querer, lhe fazia cortesia. Falou-lhe, o assunto fora de propósito: que o polvilho, ali, na Samburá, era muito caprichado, justo, um dom de branco, por isso para a Fábrica valia mais caro, que os outros, por aí, feiosos, meio tostados...

Depois, foi que lhe contaram. Tornava ainda, a cavalo, seu coração não enganado, como sendo sempre desiguais os domingos; de tarde, aí que as rolinhas e os canários cantavam. Se bem – ele ali o dono – sem abusar da vantagem. “De suas maneiras, menina, me senti muito agradado...” – repetia um futuro talvez dizer. A Maria Exita. Sabia, hoje: a alma do jeito e ser, dela, diversa dos outros. Assim, que chegara lá, com os vários sem-remédios de amargura, do oposto mundo e maldições, sozinha de se sufocar. Aí, então, por si sem conversas, sem distraídas beiras, nenhumas, aportara àquele serviço – de toda a despreferência, o trabalho pedregoso, no quente feito boca-de-forno, em que a gente sente engrossar os dedos, os olhos inflamados de ver, no deslumbrável. Assoporava-se sob o refúgio, ausenciada? Destemia o grado, cruel polvilho, de abater a vista, intacto branco. Antes, como a um alcanforar o fitava, de tanto gosto. Feito a uma espécie de alívio, capaz de a desafligir; de muito lhe dar: uma esperança mais espaçosa. Todo esse tempo. Sua beleza, donde vinha? Sua própria, tão firme pessoa? A imensidão do olhar – doçuras. Se um sorriso; artes como de um descer de anjos. Sionésio nem entendia. Somente era bom, a saber feliz, apesar dos ásperos. Ela – que dependendo só de um aceno. Se é que ele não se portava alorpado, nos rodeios de um caramujo; estava amando mais ou menos.

“Se outros a quisessem, se ela já gostasse de alguém?” – as asas dessa cisma o saltearam. Tantos, na faina, na Samburá, namoristas; e às festas – a idéia lhe doía. Mesmo de a figurar proseando com os próximos, no facilitar. Porém, o que ouviu, aquietava-o. Ainda que em graça para amores, tão formosa, ela parava a cobro de qualquer deles, de más ou melhores tenções. Resguardavam a seus graves de sangue. Temiam a herança da lepra, do pai, ou da falta de juízo da mãe, de levados fogos. Temiam a algum dos assassinos, os irmãos, que inesperado de a toda hora sobrevir., vigiando por sua virtude. Acautelavam. Assim, ela estava salva. Mas a gente nunca se provê segundo garantias perpétuas. Sionésio passara a freqüentar nas festas, princípios a fins. Não que dançasse; desgostava-o aquilo, a algazarra. Ficava de lá, de olhos postos em, feito o urubu tomador de conta. Não a teria acreditado tão exata em todas essas instâncias – o quieto pisar, num muxoxozinho úmido prolongado, o jeito de pôr sua cinturinha nas mãos, feliz pelas pétalas, juriti nunca aflita. A mesma que no amanhã
estaria defronte da mesa de laje, partindo o sol nas pedras do terrível polvilho, os calhaus, bitelões. Se dançava, era bem; mas as muito poucas vezes. Tinham-lhe medo, à doença incerta, sob a formosura. Ah, era bom, uma providência, esse pejo de escrúpulo. Porque ela se via conduzida para não se casar nunca, nem podendo ser doidivã. Mas precisada de restar na pureza. Sim, do receio não se carecia. Maria Exita era a para se separar limpa e sem jaças, por cima da vida; e de ninguém. Nela homem nenhum tocava.

Sem embargo de que, ele, a queria, para si, sempre por sempre. E, ela, havia de gostar dele, também, tão certamente. 
Mas, no embaraço de inconstantes horas – as esperanças velhas e desanimações novas – de entre-momentos. Passava por lá, sem paz de vê-la, tinha um modo mordido de a admirar, mais ou menos de longe. Ela, no seu assento raso, quando não de pé, trabalhando a mãos ambas. Servia o polvilho – a ardente espécie singular, secura límpida, material arenoso – a massa daquele objeto. Ou, o que vinha ainda molhado, friável, macio, grudando-se em seus belos braços, branqueando-os até para cima dos cotovelos. Mas que, toda-a-vida, de solsim brilhava: os raios reflexos, que os olhos de Sionésio não podiam suportar, machucados, tanto valesse olhar para o céu e encarar o próprio sol.

As muitas semanas castigavam-no, amiúde nem conseguia dormir, o que era ele mesmo contra ele mesmo, consumição de peixão, romance feito. De repente, na madrugada, animava-se a vigiar os ameaços de chuva, erguia-se aos brados, acordando a todos:__ “Apanhar polvilho! Apanhar polvilho!...” Corriam, em confusão de alarme, reunindo sacos, gamelas, bacias, para receber o polvilho posto no ar, nas lajes, onde, no escuro da noite, era a única coisa a afirmar-se, como um claro de lagoa d’água, rodeado de
criaturas estremunhadas e aflitas. Mal podia divisá-la, no polvoroso, mas contentava-o sua proximidade viva, quente presença, aliviando-o. Escutou que dela falassem: “Se não é que, no que não espera, a mãe ainda amanhece por ela...ou a senhora madrinha...” Salteou-se. Sem ela, de que valia a atirada trabalheira, o sobreesforço, crescer os produtos, aumentar as terras? Vê-la, quando em quando. A ela – a única Maria no mundo. Nenhumas outras mulheres, mais, no repousado; nenhuma outra noiva, na distância. Devia, então, pegar a prova ou o desengano, fazer a ação de a ter, na sisuda coragem, botar beiras em seu sonho. Se conversasse primeiro com Nhatiaga? – achava, estapeou aquele pensamento contra a testa. Não receava a recusação. Consigo forcejava. Queria e não podia, dar volta a uma coisa. Os dias iam. Passavam as coisas, pretextadas. Que temia, pois, que não sabia que temesse? Por vez, pensou: era, ele mesmo, são? Tinha por onde merecer? Olhava seus próprios dedos, seus pulsos, passava muito as mãos no rosto. A diverso tempo, dava o bravo: tinha raiva a ela. Tomara a ele que tudo ficasse falso, fim. Poder se desentregar da ilusão, mudar de parecer, pagar sossego, cuidar só dos estritos de sua obrigação, desatinada. Mas, no disputar do dia, criava as agonias da noite. Achou-se em lágrimas, fiel. Por que, então, não dizia hás nem eis, andava de mente tropeçada, pubo, assuntando o conselho, em deliberação tão grave- assim de cão para o luar? Mas não podia. Mas veio.

A hora era de nada e tanto; e ela era sempre a espera. Afoito, ele lhe perguntou:

__ “Você tem vontade de confirmar o rumo de sua vida? __falando-lhe de muito coração. __ “Só se for já...” __ e, com a resposta, ela riu clara e quentemente, decerto que sem a propositada malícia, sem menospreço. Devia de ter outros significados o rir, em seus olhos sacis.

Mas, de repente, ele se estremeceu daquelas ouvidas palavras. De um susto vindo de fundo: e a dúvida. Seria ela igual à mãe? – surpreendeu-se mais. Se a beleza dela – a frutice, da pele, tão fresca, viçosa – só fosse por um tempo, mas depois condenada a engrossar e se escamar, aos tortos e roxos, da estragada doença? – o horror daquilo o sacudia. Nem agüentou de mirar, no momento, sua preciosa formosura, traiçoeira. Mesmo, sem querer, entregou os olhos ao polvilho, que ofuscava, na laje, na vez do sol. Ainda que por instante, achava ali um poder, contemplado, de grandeza, dilatado repouso, que desmanchava em branco os rebuliços do pensamento da gente, atormentastes.


A alumiada surpresa.
Alvava.
Assim; mas era também o exato, grande, o repentino amor – o acima. Sionésio olhou mais, sem fechar o rosto aplicou o coração, abriu bem os olhos. Sorriu para trás. Maria Exita. Socorria-a a linda claridade. Ela – ela! Ele veio para junto. Estendeu também as mãos para o polvilho – solar e estranho: o ato de quebrá-lo era gostoso, parecia um brinquedo de menino. Todos o vissem, nisso, ninguém na dúvida. E seu coração se levantou. __ “Você, Maria, quererá, a gente, nós dois, nunca precisar de se separar? Você, comigo, vem e vai?” Disse, e viu. O polvilho, coisa sem fim. Ela tinha respondido:__ “Vou, demais.” Desatou um sorriso. Ele nem viu. Estavam lado a lado, olhavam para frente. Nem viam a sombra de Nhatiaga, que quieta e calada, lá, no espaço do dia.

Sionésio e Maria Exita – a meios-olhos, perante o refulgir, o todo branco. Acontecia o não-fato, o não-tempo, silêncio em sua imaginação. Só o um-e-outra, um em-si-juntos, o viver em ponto sem parar, coraçãomente: pensamento, pensamor. Alvor. Avançavam, parados, dentro da luz, como se fosse o dia de todos os pássaros.

Fonte: http://literatura-edir.blogspot.com.br/2009/06/conto-brasileiro-substancia-guimaraes.html

Antes de responder clique e saiba mais sobre a Estilística da Frase e sobre a Estilística da Palavra! !

1) Após a leitura do conto “Substância” de  Guimarães Rosa, encontre no texto o maior número de exemplos que conseguir das seguintes figuras de sintaxe: elipse, zeugma, assíndeto e polissíndeto.

2) A partir do texto de apoio sobre figuras da palavra pontue no trecho a seguir qual figura o autor utiliza para criar um efeito expressivo no texto. Justifique a sua resposta.
Sim, na roça o polvilho se faz a coisa alva: mais que o algodão, a garça, a roupa na corda. Do ralo às gamelas, da masseira às bacias, uma polpa se repassa, para assentar, no fundo da água e leite, azulosa – o amido – puro, limpo, feito surpresa. Chamava-se Maria Exita. Datava de maio, ou de quando? Pensava ele em maio, talvez, porque o mês mor – de orvalho, da Virgem, de claridades no campo.

3)   Nos recortes do conto transcrito abaixo, o autor fez algumas escolhas para dar expressividade ao texto, analise os trechos e elenque quais figuras de linguagem podemos encontrar . Dê exemplos.
pares se casavam, arrumava-se festas; numa, ali, a notara: ela, a flor...sem se dar ideia, a surpresa se via formada...E a beleza. Tão linda clara, certa- de avivada carmação e airosa- uma iazinha, moça feita em cachoeira. Viu que sem querer, lhe fazia cortesia...Todo esse tempo. Sua beleza, donde vinha? Sua própria... tão firme pessoa? ... Se um sorriso; ... Sionésio não entendia. Somente era bom, a saber ser feliz, apesar dos ásperos ... estava amando mais ou menos.

4) Leio o trecho do conto e disserte qual  imagem que formamos do personagem Sinésio por meio das escolhas das palavras que o autor utilizou.  Justifique sua resposta.

Só que a ele, Sionésio, faltavam folga... pois a vida não lhe deixava cortar pelo sono: era um espreguiçar-se a adormecer, para poupar tempo no despertar ... herdando de repente ... plantava à vasta os alqueires de mandioca, que ali aliás outro cultivo não vingava; chamava e pagava braços; espantava no dia a dia o povo (fonte:http://revistaliter.dominiotemporario.com/doc/Umaanalieociologica.pdf)




ATIVIDADE – Estilística da palavra

ATIVIDADE
1-) Leia os fragmentos retirados do livro “O Cortiço” de Aluísio Azevedo e  identifique os recursos expressivos no plano lexical (Veja o que é a  Estilística da Palavra e sobre suas figuras de linguagem!). Após a identificação sublinhe-os e, escreva uma pequena consideração sobre cada frase, visando explicitar o porquê você escolheu estas palavras e que sentido elas trazem à frase e a obra como um todo:

a-) “João Romão foi dos treze aos vinte e cinco anos, empregado de um vendeiro que enriqueceu entre as quatro paredes de uma suja e obscura taverna nos refolhos do bairro de Botafogo” p.17

b-) “E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, e multiplicar-se como larvas no esterco.” p.29

c-) “E durante dois anos o cortiço prosperou de dia para dia, ganhando forças, socando-se de gente. E ao lado o Miranda assustava-se, inquieto com aquela exuberância brutal de vida, aterrado defronte daquela floresta implacável que lhe crescia junto da casa, por debaixo das janelas, e cujas raízes, piores e mais grossas do que serpentes, minavam por toda parte, ameaçando rebentar o chão em torno dela, rachando o solo e abalando tudo.” p.29

d-) E assim, pouco a pouco, se foram reformando todos os seus hábitos singelos de aldeão português: e Jerônimo abrasileirou-se. A sua casa perdeu aquele ar sombrio e concentrado que a entristecia; já apareciam por lá alguns companheiros de estalagem, para dar dois dedos de palestra nas horas de descanso, e aos domingos reunia-se gente para o jantar. p. 92

e-) A revolução afinal foi completa: a aguardente de cana substituiu o vinho; a farinha de mandioca sucedeu à broa; a carne-seca e o feijão preto ao bacalhau com batatas e cebolas cozidas; a pimenta-malagueta e a pimenta-de-cheiro invadiram vitoriosamente a sua mesa; o caldo verde; a açorda e o caldo de unto foram repelidos pelos ruivos e gostosos quitutes baianos, pela moqueca, pelo vatapá e pelo caruru;” p. 92 


ATIVIDADE – Assonância/Aliteração/Consumo

ATIVIDADE 1
1-) Leia o poema de Cecília Meirelles e identifique a possível ocorrência de aliteração e/ou assonância:

aliteração      assonância       aliteração        assonância      aliteração    assonância
              



“Ou isto ou aquilo”

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Ou isto ou aquilo – Cecília Meirelles

2-) Explique detalhadamente onde ocorrem as aliterações e assonâncias e, quais valores expressivos que estas figuras de linguagem agregam ao texto. (Para isso saiba mais sobre a Estilística e a Estilística do Som!)

3-) A repetição de palavras e a ocorrência de rimas ajudam na composição do ritmo do poema? Comprove com passagens do texto.

4-) A vogal “o” é a mais repetida no texto, desde o título e até o último verso, a autora tem uma intencionalidade ao escrever desta maneira. Levando em conta que nenhuma escolha é aleatória e, ampliando uma possível resposta que tenha dado à questão 1, o que esta repetição traz de sentido ao texto? 
5-) Deixando a margem o estudo puramente linguístico é possível notar que o poema tem uma temática crítica. Baseando-se na leitura dele e do texto citado abaixo que fala sobre consumismo. Disserte sobre qual é esta temática, dando exemplos que você já tenha vivido e/ou vivenciado. Retire do texto trechos ou palavras que confirmem sua afirmação.

“O consumismo é uma compulsão que leva o indivíduo a comprar de forma ilimitada e sem necessidade bens, mercadorias e/ou serviços. Ele se deixa influenciar excessivamente pela mídia, o que é comum em um sistema dominado pelas preocupações de ordem material, no qual os apelos do capitalismo influenciam muito a mente humana. Não é à toa que o universo contemporâneo no qual habitamos é conhecido como “sociedade de consumo”. Depois da Revolução Industrial, que possibilitou o aumento da escala de produção e incrementou o volume de mercadorias em circulação, o mundo se modificou profundamente. Com a industrialização veio o desenvolvimento econômico nos moldes do liberalismo e o consumismo alienado, ou seja, é como se as mercadorias fossem entidades abstratas e autônomas, independentes dos esforços humanos”.
(Por Ana Lucia Santana, disponível em:
http://www.infoescola.com/psicologia/consumismo/)





ATIVIDADE – Tipos de rimas/Trabalho

ATIVIDADE
LUCRO E HONRA
DINHEIRO a rodo, Tonico?
- Assim; vai-se labutando,
Ora pobre, ora mais rico,
Sem nada de quando em quando.

" Bem
fatigante, esta vida!..."
- Mas um dia se descansa,
E a gente esforços envida
Para vencer a provança.

É bom andar pelo mundo,
Do dever na linha reta.
"Mas não sentes, lá no fundo,
Uma tristeza secreta?"

- Não. Nem vejo que tristeza
Possa crescer na minha alma:
No trabalho a tendo presa,
Sinto-a leve, pura e calma.

" Pois não me acontece o mesmo;
Quantos dias, quantos, quantos,
Vagando, em sonhos, a esmo,
Meus olhos se enchem de prantos !"

- Choras?... Tu choras, Pedrinho?
E o pranto não te envergonha?
Quem anda no bom caminho,
Tem sempre a face risonha.

" Mas é tão penosa e custa
Tanto esta vida!..." - Que importa?
Acaso o labor te assusta?
Quem navega à terra aporta.

"Procura o bem no trabalho,
- Gérmen de paz, que floresce -
Não te metas por atalho,
E terás próvida messe.

"Opõe ao mal que te invade,
A ambição, o amor ao ganho.
Não há labor que degrade;
De nenhum mister me acanho.

"E assim, trabalhando presto,
Dia a dia, instante a instante,
Guardo o meu dinheiro honesto
E tenho a face radiante."

(Zalina Rolin)
1-) Leia o poema acima e identifique as palavras que você não conhece, procure em dicionários o significado, faça uma pesquisa com seus colegas de classe para construir o significado delas, ou tente entender seu significado de acordo com o contexto apresentado no texto.

2-) Identifique dentre as palavras que você destacou como desconhecidas e, entre as demais do texto, quais tem valor expressivo para a construção do poema. Liste-os.

3-) Identifique os tipos de rima utilizados nas duas primeiras estrofes do poema e classifique-os quanto à:
- Disposição;
-Natureza;
-Fonética.


4-) O eu-lírico do texto constrói uma imagem em relação ao trabalho, ela é positiva ou negativa? Justifique sua resposta retirando trechos do texto.



domingo, 16 de junho de 2013

Figuras de Linguagem de Sintaxe

FIGURAS DE LINGUAGEM DE SINTAXE


As figuras de sintaxe também chamadas de figuras de construção, ocorrem quando há desvios em relação a concordância, ordem, possíveis repetições ou omissões na superfície textual. Dentre as figuras de sintaxe explicaremos a seguir: a elipse, zeugma, assíndeto e polissíndeto utilizando a Gramática Houaiss de José Carlos Azeredo.
Elipse: Omissão de um termo numa enunciação linguística. No enunciado, o termo elíptico é facilmente subetendido porque está presente em nosso espírito e sua compreensão se depreende do contexto geral ou da situação, a elipse é o contrário do pleonasmo. Exemplo: Após a queda,* nenhuma fratura. (subentende-se que “após a queda, *não houve nenhuma fratura”).
Zeugma: A supressão de um termo anteriormente expresso dá-se o nome de zeugma. Exemplo: “A igreja era grande e pobre. Os altares,* humildes.” [Andrade,1971ª:181], ( *supressão de igreja)
Assíndeto: Ausência ou supressão estilística do conectivo aditivo numa sequência de palavras, de termos de uma oração ou de orações coordenadas. Exemplo: Chegamos de viagem, tomamos banho, depois saímos para jantar. (Há a omissão do conector e  no exemplo acima, “Chegamos de viagem, tomamos banho e depois saímos para jantar”).
Polissíndeto: Repetição do conectivo coordenativo numa cadeia de palavras, termos de uma oração ou orações coordenadas. Exemplo: Chegamos de viagem e tomamos banho e saímos para jantar. ( Repetição do conectivo e).


Referência Bibliográfica:

AZEREDO,José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa.- São Paulo: Publifolha, 2011.1ªreimpressão da 3ª edição de 2010.

A Estilística da Frase

 A ESTILÍSTICA DA FRASE




 Estilística da frase, ou sintática, estuda as possibilidade de veiculação das palavras numa estrutura maior: a frase. Para a formação das frases, segundo Nilce Sant’Anna Martins, “quem fala ou escreve escolhe entre os tipos de frases obedecendo a um número mais ou menos restrito de regras rígidas. À dupla escolha do padrão sintático e do léxico corresponde a criatividade da frase, tendo o falante a possibilidade de produzir, em número infinito, frases novas e compreensíveis”, ou seja, o usuário pode obedecer à norma gramatical, ou usá-la em desvio, seja por inaptidão ou por escolha para criar determinado efeito.    Ainda segundo Nilce Sant’Anna Martins, “À estilística sintática interessa a consideração dessa norma - dos tipos de frase que se podem formar - e os desvios dela que constituem traços originais e expressivos”.

            O conceito de frase é discutido por diversos autores, mas de maneira geral, frase não é uma estrutura fixa, pode ter vários tamanhos e formas de articulação, tem começo e fim, tem entonação, veicula um conteúdo e exprime um sentido.  Cada frase também tem uma função que pode ser: declarativa, emotiva, exclamativa, imperativa, apelativa.  A frase pode ser articulada sozinha ou combinada com outras frases, sendo necessário para tal que elementos de coesão sejam utilizados.


Uma simples interjeição já pode ser considerada uma frase, por isso muita gramáticos diferencia o termo “frase” da “oração”, sendo a frase classificada como citado e, a oração sendo frases que possuem estrutura binária, composta por sujeito e predicado. Nilce Sant’Anna Martins define que “A frase pode, portanto, ser ou não oração, ser completa e incompleta, explícita e implícita”. 
Segundo sua constituição a frase pode ser completa ou incompleta:
Frases completas são aquelas formadas por sujeito e predicado, podem ocorrer nas formas:
·         Frase completa simples, onde há um só verbo principal que pode ser gramatical (copulativo) ou nocional.
·         Frase complexa, onde as orações de relacionam por coordenação (têm independência entre si, uma não faz parte da outra) ou por subordinação (têm dependência ou regência entre as orações).
Frase incompleta, ou elíptica, são aquelas onde há redução na estrutura lógica, elas não se formam por sujeito e predicado. Temos:
·         Frases de dois membros, há relação entre os termos mas não é formalizada por um vocábulo, o implícito é substituído pela entoação que relaciona os termos.
·         Frases de um só membro, o sentido só é completo pelo contexto, pela situação vivenciada.
·         Frases fragmentárias, são frases incompletas que só tem seu sentido formado através da entoação e da relação com outras frases.


Para análise o estudo do tipo de verbo, se transitivo ou intransitivo são importantes para entender as funções das frases, pois a escolha já pode dizer muito sobre a construção.


Referências:

HENRIQUES, Claudio Cezar. Estilística e Discurso – Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

MARTINS, Nilce Sant’Anna. Introdução à Estilística: A Expressividade na Língua Portuguesa – 4ªed. rev. 2. Reimpr – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012. (Acadêmica71)
            

Figuras de linguagem de palavras

Figuras de linguagem de palavras (ou figuras léxicas)

            Entre as principais figuras de linguagem de palavra destacam-se a metáfora e a metonímia.


            Na metáfora há a utilização de um significante com um significado secundário, ou há a aproximação de dois ou mais significantes que tenham similaridade semântica, contiguidade ou inclusão entre os termos. Nela os conteúdos materiais e funcionais se fundem fazendo participar do processo de compreensão a sensibilidade e a imaginação.
            A metonímia ocorre quando se troca um termo que designa uma realidade por outro que designa uma realidade diferente desde que estas tenham relação de coexistência. Pode-se dizer que nela a parte simboliza o todo.
Veja os exemplos:
Metáfora:
“O menino é um retalho de hungarês.” (M. de Andrade, Os filhos da Candinha, p.167)
Metonímia:
“Beija-flor ganha o carnaval com homenagem a Roberto Carlos levando Marquês de Sapucaí ao delírio.” (portal R7, 09/03/2011)





Referências:

HENRIQUES, Claudio Cezar. Estilística e Discurso – Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

MARTINS, Nilce Sant’Anna. Introdução à Estilística: A Expressividade na Língua Portuguesa – 4ªed. rev. 2. Reimpr – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012. (Acadêmica71)
            

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Estilística da Palavra

ESTILÍSTICA DA PALAVRA
       
     A estilística da palavra, ou léxica, segundo Nilce Sant’ Anna Martins, “estuda os aspectos expressivos das palavras ligados aos seus componentes semânticos e morfológicos”. Na colocação dos vocábulos (palavras ou termos com carga semântica) há aspectos que ganham destaque, por funcionar como um recurso expressivo, por exemplo, no excerto:
“E, desistindo do elevador, embriagatinhava escada acima.” (G. Rosa, Tutameia, p.104)
O termo em destaque funciona como um recurso expressivo, pois ajuda a criar uma imagem que as palavras originais (embriagado/engatinhava) sozinhas não seriam capazes de criar, por isso diz-se que a escolha não é aleatória e, sim intencional e carregada de significados.
            As palavras podem exprimir julgamento e também funcionar como elemento de avaliação, elas atribuem qualidades e, tem significados complexos onde coexistem valores, respectivamente. Há também as palavras evocativas, nelas a tonalidade emotiva se deve por associações à origem das palavras ou variedades linguísticas, entre elas temos:
·      Neologismo: é um recurso linguistico que caracteriza-se pela criação de uma nova palavra ou expressão. Podem ser elaborados por meio da prefixação,  sufixação,  aglutinação ou justaposição.
·      Estrangeirismo: quando o nome das coisas importadas as acompanha dando um toque de exotismo ao texto, contribuem para dar autenticidade à referência a outras terras e outros povos;
·      Indigenismo: são empréstimos dos índios à nossa língua, essas palavras tem um alto teor literário;
·      Arcaísmo: são palavras que evocam o passado recriando uma atmosfera solene e pitoresca;
·      Regionalismo: evocação de certos aspectos de determinada parte do país;
·      Gíria: são palavras que por seu estilo evocam certas classes sociais ou grupos profissionais.

            A palavra que tem caráter expressivo cria uma imagem, ela sai do uso denotativo para ser utilizada com sentido conotativo. As imagens podem ser concretas, quando evoca quadro que a imaginação individual completa à sua vontade; afetivas, quando há um resíduo afetivo na imagem; mortas, quando há abstração pura, a imagem se cria por operação intelectual.

            As palavras para ter expressividade podem utilizar os processos de formação, mas de maneira diferente do usual, este fator também deve ser observado na análise.




Referências:

HENRIQUES, Claudio Cezar. Estilística e Discurso – Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

MARTINS, Nilce Sant’Anna. Introdução à Estilística: A Expressividade na Língua Portuguesa – 4ªed. rev. 2. Reimpr – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012. (Acadêmica71)
            

Eu - Lírico

EU – LÍRICO
Podemos dizer que o eu-lírico é a voz que fala no poema e nem sempre corresponde à do autor. O eu-lírico pode ou não expressar as vivências efetivas do poeta, mas a validade estética do texto independe da sinceridade do mesmo.