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segunda-feira, 17 de junho de 2013

ATIVIDADE - TRABALHO / MIGRAÇÃO

ATIVIDADE

1) Após assistir ao vídeo com a reportagem  sobre migração comente o que você conhece sobre o assunto. Você conhece algum migrante de alguma região do Brasil ou alguma história de migração? Disserte sobre o que sabe.

Link do vídeo sobre migração
http://www.youtube.com/watch?v=ltWMOkI2TM8

(Aproveite e leia também os textos sobre migrantes e migração!)

2) Leia  e escute a letra da música Cidadão e a seguir responda as questões:

Cidadão
Zé Ramalho
Tá vendo aquele edifício moço
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas prá ir, duas prá voltar
Hoje depois dele pronto
Olho prá cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
E me diz desconfiado
"Tu tá aí admirado?
Ou tá querendo roubar?"
Meu domingo tá perdido
Vou prá casa entristecido
Dá vontade de beber
E prá aumentar meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer...

Tá vendo aquele colégio moço
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Fiz a massa, pus cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem prá mim toda contente
"Pai vou me matricular"
Mas me diz um cidadão:
"Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar"
Essa dor doeu mais forte
Por que é que eu deixei o norte
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava
Mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer...
Tá vendo aquela igreja moço
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá foi que valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse:
"Rapaz deixe de tolice
Não se deixe amedrontar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asa
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar"
Hié! Hié! Hié! Hié!
Hié! Oh! Oh! Oh!
Ouça a música clicando no link:

a) Qual é o assunto abordado na letra de música Cidadão.

b) Como podemos caracterizar o cidadão e o trabalhador apresentado na letra da música? Explique com suas palavras.

c) Na música o trabalhador elenca alguns problemas que enfrentavam, quais são estes problemas? Hoje em dia você acha que isso ainda acontece? Por quê? Exemplifique.

d) No trecho da música em que Cristo diz “Hoje o homem criou asas e na maioria das casas eu também não posso entrar”, o que ele quis dizer nesta frase? Você concorda com ele? Justifique sua resposta.

e) Na estrofe: “Tá vendo aquele edifício moço/ Ajudei a levantar/ Foi um tempo de aflição/ Eram quatro condução/Duas prá ir, duas prá voltar.” Ocorre um esquema de rimas. Qual é esse esquema?

f) A marca da linguagem coloquial também conhecida como informal esta presente no texto Cidadão.  Qual o efeito que o autor trouxe para o texto ao fazer a escolha destas marcas? Retire do texto elementos que justifique sua resposta.


FAÇA VOCÊ MESMO!

Faça a leitura do texto de apoio (Migrantes). Após a leitura organizem-se em grupos e escolham a cultura de alguma região apresentada no texto e elaborem uma apresentação pode ser de alguma comida típica da região, dança, música, encenação sobre a história da migração de um povo ou região, para elaboração de uma gincana cultural, que será apresentada na próxima aula.


 Como sugestão veja a seguir fotos da encenação e apresentação do poema “O exercício de ser criança” de Manoel de Barros.








domingo, 16 de junho de 2013

ATIVIDADE – ÉTICA

ATIVIDADE
Admirável Chip Novo   
  Pitty


Pane no sistema, alguém me desconfigurou

Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluído em lugar de articulação 

Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema 
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva 

Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga...
Não senhor, Sim senhor (2x) 

Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluído em lugar de articulação 

Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema 



Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva 

Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga...
Não senhor, Sim senhor (2x) 

Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema.
  




1) Qual a temática dos textos?

2) O trecho da música que fala: “Pense, fale, compre, beba, leia, vote, não se esqueça. Use, seja, ouça, diga. Tenha, more, gaste e viva (..) Não senhor, Sim senhor (...)”, faz uma intertextualidade explícita com a tirinha da Mafalda, qual a mensagem que ambos os textos querem transmitir?

3) Qual a ideia por traz do texto quando na música o trecho citado acima termina com as frases ‘não senhor, sim senhor’ e na tirinha ‘os malditos sabem que nós ainda não sabemos’. A quem se referem? Por quê?

4) Você concorda com estas ideias? Cite algum exemplo que você já tenha visto ou vivido que justifique sua resposta.

FAÇA VOCÊ MESMO!

  •  Pensando nas propagandas veiculadas na televisão, em outdoors e em revistas, crie uma propaganda baseado nas ideias que a letra da música apresenta. Observação: as pessoas devem sentir-se estimuladas a seguir a ação proposta (tem que utilizar a persuasão na criação do tema da propaganda).

  •  Seja criativo e crie o produto que quer vender para mostrar à seus colegas. Use produtos recicláveis para isso.


ATIVIDADE – ÉTICA / EDUCAÇÃO

ATIVIDADE
Admirável Gado Novo
Zé Ramalho


 Oooooooooh! Oooi!
Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro.
 É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber...
E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer...

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado, Êh!
Povo feliz!...(2x)

Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal...
E correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou...

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado, Êh!
Povo feliz!...(2x)

Oooooooooh! Oh! Oh!

O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam essa vida numa cela...
Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar
A Arca de Noé, o dirigível
Não voam nem se pode flutuar

Não voam nem se pode flutuar
Não voam nem se pode flutuar...
Que passa nos projetos do futuro

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado, Êh!
Povo feliz!...(2x)
Ooooooooooooooooh!


 EDUCAÇÃO

A escola era uma instância supereminente e continua a sê-lo nos países pobres, em que o acesso à educação, não garantido a todos, é sentido como um privilégio por aqueles que se beneficiam, enquanto nos países ricos ela se tornou um direito que o aluno considera uma obrigação e do qual usufrui sem lhe dedicar o respeito de antigamente (p.150), (...) O capitalismo de consumo não apenas elevou o nível de vida da população e permitiu a difusão do bem estar e dos lazeres como também propagou uma nova cultura, exaltando a vida no presente, a satisfação dos desejos, a realização pessoal do indivíduo. Correlativamente ele contribuiu para desqualificar os enquadramentos disciplinares, as normas de imposição autoritária e o ‘adestramento’ impessoal a considerados como violentadores do desabrochamento da subjetividade (...), (p.151).
LIPOVETSKY, Gilles. A Cultura Mundo: resposta a uma sociedade desorientada/ Gilles Lipovetsky e Jean Serroy; tradução Maria Lúcia Machado. – São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

Para responder às questões leia e escute a letra da música de Zé Ramalho e o texto sobre educação:
1-) Ao linkar o trecho da música “que o povo foge da ignorância, apesar de viver tão perto dela”, com o trecho do texto de Lipovetsky, que diz que o aluno encara a escola como, “uma obrigação sem lhe dar o devido respeito”  podemos ter uma ideia geral dos assuntos que os textos abordam. Leiam os textos na íntegra e respondam a seguir qual alternativa está CORRETA :
I - Segundo a letra da música o indivíduo que se prepara para o futuro recebe o reconhecimento do seu trabalho e pode gozar de uma velhice tranquila.

II - Enquanto nos preparamos para o nosso futuro, somos livres para tomarmos nossas decisões e o nosso sucesso independe do reconhecimento alheio.

III - A instância do consumismo em nossa sociedade contribui para a desvalorização da educação e implica na falta de perspectivas e planos para o futuro, pois esta sociedade foca-se apenas no presente e na satisfação de suas necessidades mais imediatas.

a) somente a alternativa “I” está correta.

b) somente a alternativa “II” está correta.

c) as alternativas “I” e “II” estão corretas.

d) somente a alternativa “III” está correta.

2-) Enumere pelo menos 10 problemas que você acha que dificultem os alunos a participar de forma mais efetiva  dos conteúdo e/ou matérias propostos pela escola.Em sua opinião esses problemas podem estar relacionados à escola, a sociedade ou aos alunos? Justifique sua resposta.

3-) O que você como aluno acredita que possa ser feito para sanar ou melhorar esses problemas? Você faz a sua parte para que essas melhoras ocorram ou há coisas que você pode melhorar? Justifique sua resposta.




ATIVIDADE – Ética/Consumismo

 ATIVIDADE 1
EU ETIQUETA 
Carlos Drummond de Andrade.

Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
Fonte: http://pensador.uol.com.br/autor/carlos_drummond_de_andrade/

a) Relacione o texto de Drummond com o texto Um Mundo de Marcas e disserte sobre a tentativa do ser humano de criar uma identidade por meio do uso de determinadas marcas, retire do texto “Eu Etiqueta”  trechos que exemplifique sua resposta.

b) No final do texto o autor diz que o seu nome novo é "coisa", o que você acha que o autor quer dizer com esta frase? Você concorda com ele?

c) Disserte sobre algumas marcas que você utiliza e opine se você acha que se encaixa no perfil que o autor construiu? Justifique sua resposta

ATIVIDADE 2
                                            
a) Leia os textos sobre consumo e discorra o que você entende por "Hiperconsumismo". Você se considera um hiperconsumidor? Por quê?
              
b) A partir do conceito sobre ética de Marilena Chauí como podemos ser éticos em relação ao consumo quais os pontos negativos e os pontos positivos em relação a natureza e o meio ambiente?

Assista ao vídeo sobre hiperconsumo e a partir das informações apresentadas elenque  o que você aprendeu ao assistir o vídeo, em seguida escreva e compartilhe o que te chamou mais atenção nas informações adquiridas.


Link do vídeo:








Migrantes

MIGRANTES
Quando vim da minha terra,
não vim, perdi-me no espaço,
na ilusão de ter saído.
Ai de mim, nunca saí.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

É possível encontrar em São Paulo cada pedacinho do Brasil com seus sotaques e culinárias dos mais variados. Afinal, o Estado de São Paulo se transformou num dos mais importantes polos de atração de fluxos migratórios.
É possível encontrar em São Paulo cada pedacinho do Brasil com seus sotaques e culinárias dos mais variados. Afinal, o Estado de São Paulo se transformou num dos mais importantes polos de atração de fluxos migratórios.


Para entender melhor os contrastes e o emaranhado de culturas que povoam o Estado de São Paulo não dá para deixar de falar da migração. Aqui o turista mais desavisado se surpreende com a estranha união do feijão-de-corda com o pão-de-queijo que, por sua vez, convivem em total harmonia com o forró e a música sertaneja. Tudo isso regado a um bom churrasco com chimarrão. É possível encontrar em São Paulo cada pedacinho do Brasil com seus sotaques e culinárias dos mais variados. Afinal, o Estado de São Paulo se transformou num dos mais importantes pólos de atração de fluxos migratórios. O rápido desenvolvimento da região, a oportunidade de emprego e o sonho de uma vida melhor fizeram dessa terra o que é hoje: uma Torre de Babel. Em estatística feita em 1959 constatou-se que o processo migratório para São Paulo começou em 1901. Naquele primeiro ano, o registro de entrada de nacionais no Estado de São Paulo apontou 1.434 pessoas. No mesmo período, o número de estrangeiros aportados em São Paulo foi de 70.348 pessoas. Foi em 1923 que teve início a intensificação do fluxo de nordestinos, mineiros e fluminenses para São Paulo.
Em 1935, o governo de Armando Salles de Oliveira decidiu estimular a migração para São Paulo, com o objetivo de suprir a lavoura de mão-de-obra. Por iniciativa daquele governo foi estipulada, pelo sistema de contratos com companhias particulares, a introdução de trabalhadores mediante a seguinte subvenção: pagamento de passagem, bagagem e um pequeno salário para a família. As firmas contratadas pelo governo para trazer trabalhadores de outros Estados passaram a operar com afinco no Nordeste do país e no Norte do Estado de Minas Gerais. Em 1939 o Departamento de Imigração e Colonização foi reorganizado e criou-se a Inspetoria de Trabalhadores Migrantes com a finalidade de substituir as firmas particulares no serviço de migração subsidiada. Quando as famílias chegavam a São Paulo eram recebidas na Hospedaria do Imigrante e daí distribuídas pelo Estado. Com o estímulo dado pelo governo, as entradas passaram a ser maciças, atingindo em 1939 a casa dos 100 mil.
Durante o período de 1941 a 1949 só o Departamento de Imigração e Colonização de São Paulo encaminhou à lavoura do Estado 399.937 trabalhadores procedentes de outros Estados do Brasil. Nesta época, na Europa acontecia a II Guerra Mundial e a imigração de europeus reduziu drasticamente. Os 12 municípios que maior número de migrantes receberam (399.927) foram Presidente Prudente, Rancharia, Marília, Martinópolis, Andradina, Presidente Venceslau, Santo Anastácio, Pompéia, Valparaiso, Araçatuba e Presidente Bernardes. Mas foi nas décadas de 1950 e 1960 que se verifica a efetiva industrialização do Estado e a consequente abertura de um mercado de trabalho de dimensões amplas, uma vez que o processo de crescimento industrial, por seus efeitos multiplicadores levou também a uma substancial ampliação do setor terciário. A migração em 1950 apresentava o seguinte quadro: Minas Gerais contribuiu com quase 50% do fluxo. A Bahia é o Estado que mais contribuiu depois de Minas Gerais, com 17,56% do fluxo. Somente estes dois Estados representavam 65,04% do fluxo. Migrantes de Pernambuco, Alagoas, Ceará, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí representavam menos de 15%.
O fato de Minas Gerais ser um Estado vizinho de São Paulo, é um motivo a mais a determinar o grande fluxo migratório. O aumento do peso da migração vinda do Nordeste é em grande parte devido às secas que atingiram a região na década de 1950. Outro fator determinante foi a conclusão da Estrada Rio-Bahia em 1949, o que veio facilitar bastante essa migração. Foi por esta rodovia que surgiu o "pau-de-arara", transporte de migrantes feito por caminhões de carga, precariamente adaptados para o transporte de seres humanos. Os migrantes se espalharam por todo o Estado, mas a Região Metropolitana de São Paulo apresentou-se como a mais importante área de atração populacional do Estado, tendo as migrações contribuído com 56,6% do crescimento da população da região no período 1960-1970.
O aparecimento do complexo industrial da Região da Grande São Paulo deu-se sobretudo a partir da Segunda-Guerra Mundial, e de forma mais acentuada durante e após a década de 1950, quando o processo de substituição de importações surgiu como um dos fatores principais do desenvolvimento industrial da região.
Com o passar dos anos, a migração foi diminuindo. Nos anos 60, chegavam à cidade 128 mil migrantes por ano, a partir de 1980 a média anual caiu para 68 mil, segundo dados do Seade.
Por causa dessa miscigenação, hoje, passear por São Paulo é conhecer todas as tradições. O bairro do Brás, por exemplo, antigo reduto de italianos, é ocupado hoje em sua maioria por migrantes nordestinos. Já a cidade de Carapicuíba registra 70% de migrantes entre nortistas e nordestinos. No município de Embu, os gaúchos realizam festas com acordeão e rabeca e, claro, churrasco. Sem falar de toda a tradição do mobiliário rústico e artesanal.
A parte gastronômica é outro capítulo. Por causa da migração, é possível comer em São Paulo qualquer doce feito com a fruta mais exótica da Amazônia, um bom acarajé preparado por uma baiana autêntica, aquele doce de leite com queijo mineiro ou mesmo encontrar uma boa erva-mate para o preparo do chimarrão. Ou ainda comer leitão à pururuca, vaca atolada, galinha ao molho pardo, moquecas com jeitão capixaba, buchada de carneiro, costelinha de porco com canjiquinha e angu, arroz de cuxá do Maranhão, sopa de goma de mandioca com camarão seco do Belém do Pará ou ainda a combinação de tucupi e jambu. O difícil é enumerar todas as opções.
Seja fugindo da seca ou em busca do sonho de uma vida melhor e do melhor centro educacional do País, enfim, cada um que chegou em São Paulo tinha um motivo. Porém, todos adotaram essa terra como seu lar e essa terra, em contrapartida, recebeu não só complexos problemas urbanos mas, principalmente, ganhou a força do trabalho de uma gente com muita determinação e, acima de tudo, com a infinita riqueza de várias culturas.




O que é Migração?

O QUE É MIGRAÇÃO?

Migração consiste no ato da pessoa deslocar-se espacialmente, ou seja, pode se referir à troca de país, estado, região, município ou até de domicílio. As migrações podem ser desencadeadas por fatores religiosos, psicológicos, sociais, econômicos, políticos e ambientais.
A migração interna corresponde ao deslocamento de pessoas dentro de um mesmo território, dessa forma podem ser entre regiões, estados e municípios. Tal deslocamento não provoca modificações no número total de habitantes de um país, porém altera as regiões envolvidas neste processo.
No Brasil um dos fatores que exercem maior influência dos fluxos migratórios é o de ordem econômica, onde o modelo de produção capitalista cria espaços privilegiados para instalação de indústrias, forçando indivíduos a se deslocarem  de um lugar para outro em busca de melhores condições de vida e à procura de emprego para suprir suas necessidades básicas de sobrevivência.



Consumo

CONSUMO

A época do hiperconsumo é a da dilatação extrema, da excrescência da esfera mercantil. Por isso, se os indivíduos são mais livres em sua vida privada, são também mais dependentes do mercado para a satisfação de seus desejos (P.58).




Consome-se em toda parte, em todo lugar e a todo o momento; nos hipermercados e nas galerias comerciais, nos cinemas, nas estações, nos aeroportos; nas horas habituais de funcionamento, mas também cada vez mais, no domingo, de noite, de madrugada; sendo servido por vendedores ou servindo-se sozinho, utilizando máquinas automáticas, encomendando pela internet. E as festas , antes religiosas , tornaram-se convites a fruição, uma espécie de orgias de consumo. Daí em diante, o essencial de nossas trocas tende a tornar-se relações mercantis, é a quase totalidade de nossa existência que se encontra colonizada pelas marcas e pelo mercado. (p.58).



LIPOVETSKY, Gilles. A Cultura Mundo: resposta a uma sociedade desorientada/ Gilles Lipovetsky e Jean Serroy; tradução Maria Lúcia Machado. – São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

Um Mundo de Marcas

UM MUNDO DE MARCAS




                                                                                                   Gilles Lipovetsky

Estamos na época em que grandes marcas não se contentam mais em implantar seu logotipo em todo o planeta: elas se empenham em cercar novos domínios, até então não submetidos a ação, em empurrar para cada vez mais longe os limites de seu campo de legitimidade. Assim, a expansão de marca tornou-se um traço importante da gestão das grandes marcas da moda que agora apõem seu nome em territórios como o de perfumes, cosméticos,artigos de couro, esporte ,casa, relógios, joias, óculos, telefones celulares e mesmo hotéis, (p.94). (...) Estamos na época em que criar produtos já não basta: é preciso criar uma identidade ou uma cultura de marca por meio do marketing, do superinvestimento publicitário e da hipertrofia da comunicação (...) (p.95). (...) Nos tempos da hipermoda, a ênfase é colocada menos na roupa ou no próprio artigo esportivo e mais na mitologia que os cerca, menos no objeto e mais no conceito, nos valores, na visão de marca transmitida pela publicidade, pelo patrocínio. Pelo mecenato, pelas butiques, pelos desfiles, pela associação com as celebridades (...), (p.95).





LIPOVETSKY, Gilles. A Cultura Mundo : resposta a uma sociedade desorientada / Gilles Lipovetsky e Jean Serroy: tradução Maria Lúcia Machado.- São Paulo: Companhia da Letras, 2011.


A Escola

A ESCOLA 




A escola era uma instância supereminente e continua a sê-lo nos países pobres, em que o acesso à educação, não garantido a todos, é sentido como um privilégio por aqueles que se beneficiam, enquanto nos países ricos ela se tornou um direito que o aluno considera uma obrigação e do qual usufrui sem lhe dedicar o respeito de antigamente (p.150), (...) O capitalismo de consumo não apenas elevou o nível de vida da população e permitiu a difusão do bem estar e dos lazeres como também propagou uma nova cultura, exaltando a vida no presente, a satisfação dos desejos, a realização pessoal do indivíduo. Correlativamente ele contribuiu para desqualificar os enquadramentos disciplinares, as normas de imposição autoritária e o ‘adestramento’ impessoal a considerados como violentadores do desabrochamento da subjetividade (...), (p.151).




LIPOVETSKY, Gilles. A Cultura Mundo: resposta a uma sociedade desorientada/ Gilles Lipovetsky e Jean Serroy; tradução Maria Lúcia Machado. – São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

O Que é Ética

O QUE É ÉTICA


A ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que são, mas que não são fáceis de explicar, quando alguém pergunta. Tradicionalmente ela é entendida como um estudo ou uma reflexão, científica ou filosófica, e eventualmente até teológica, sobre os costumes ou sobre as ações humanas. (...) A ética pode ser o estudo das ações ou dos costumes, e pode ser a própria realização de um tipo de comportamento. (VALLS, 1994 p.7) 
De maneira geral, a ética se volta aos princípios que sustentam as bases da moralidade social, levando o sujeito (ou a sociedade) à reflexão acerca dos valores e costumes vigentes em determinada época, tanto no âmbito coletivo como no individual. Ao indivíduo cabe perceber qual influencia o código moral de determinada sociedade exerce sobre ele e, até que ponto ele aceita ou não esse valores e sabe lidar com eles da melhor forma possível.
Marilena Chauí, em seu livro Convite à Filosofia, define o campo da ética a partir de termos relevantes, entre eles os que cabem a este trabalho são: o senso moral e a consciência moral e, o juízo de fato e o juízo de valor. O senso moral e a consciência moral, dizem respeito aos valores propagados (justiça, honradez, integridade, etc.), os sentimentos que esses valores nos provocam e, as decisões tomadas, que acabam por gerar consequência para o próprio o ser que exerce a ação e para as outras pessoas. Senso e consciência moral definem valores positivos e negativos para a vida cultural, tratam das relações que mantemos com os outros, de nossos sentimentos e intenções, tratando desta forma da vida não apenas social mas também intersubjetiva do individuo.
O juízo de fato por sua vez define o que as coisas são, por que são e como são, enquanto que o juízo de valor avalia as coisas, pessoas e situações. Os juízos éticos de valor são bem definidos no seguinte trecho:
Os juízos éticos de valor são também normativos, isto é, enunciam normas que determinam o dever ser de nossos sentimentos, nossos atos, nossos comportamentos. São juízos que enunciam obrigações e avaliam intenções e ações segundo o critério do correto e do incorreto. (CHAUÍ, 2000, p. 431)
Partindo dos pressupostos destas definições podemos chegar a duas condições indispensáveis para uma vida norteada pela ética “consciência e responsabilidade”. 

A consciência moral manifesta-se, antes de tudo, na capacidade para deliberar diante de alternativas possíveis, decidindo e escolhendo uma delas antes de lançar-se na ação. Tem a capacidade para avaliar e pesar as motivações pessoais, as exigências feitas pela situação, as consequências para si e para os outros, a conformidade entre meios e fins (empregar meios imorais para alcançar fins morais é impossível), a obrigação de respeitar o estabelecido ou de transgredi-lo (se o estabelecido for imoral ou injusto). (CHAUÍ, 2000, p.433)   


Com esta ótima descrição do que é ter consciência, chegamos a outro ponto que é destacado por Chauí no que se trata da ética, o sujeito. O sujeito é modelado pelas condições em que vive e, formado pelos costumes da sociedade em que está inserido, mas, é ele quem tem o poder da força transformadora. O sujeito pode optar por ser ativo ou passivo, sendo o passivo aquele que questiona, indaga sabe julgar e avaliar as situações e, o passivo aquele que simplesmente aceita tudo que acontece.




Bibliografia
CHAÍ, Marilena. Convite à Filosofia - São Paulo: Ática, 2000.
MACHADO, Nilson José. Cidadania e Educação – 4ª ed. – São Paulo: Escrituras Editora, 2002. (Coleção Ensaios Transversais)
VALLS, Álvaro L. M. O que é ética - 9ª ed. – São Paulo: Brasiliense, 1994. (Coleção primeiros passos: 177)